quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Liberta-te

Liberta-te.
Liberta-te de tudo o que te prende.
Liberta-te de tudo o que te faz mal, te deixa cinzento.
Liberta-te das amarras, das âncoras, das correntes.
Liberta-te.
Volta.
Volta ao que te solta.
Volta ao que te faz bem, te deixa sorridente.
Volta à tua casa, à tua infância, volta aonde foste feliz.
Volta e liberta-te.
Liberta-te e volta.
Volta.


sexta-feira, 25 de março de 2016

Desabafo de uma professora vs "explicadora"

Terminou o 2.º período. O final de mais um ano letivo está mais próximo do que parece...
Todos os anos as situações sobre as quais vou desabafar de seguida acontecem, todos os anos... mas este ano têm acontecido com particular intensidade, nem sei bem porquê... Só acaso, talvez...

Pois bem... sou licenciada em Professores do Ensino Básico, na variante Matemática e Ciências da Natureza. Estudei em Beja, na Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Beja. Instituição pública. Terminei esta formação em 2003. Desde aí já trabalhei em diversos projetos, já trabalhei com crianças de várias nacionalidades, já dei aulas em escolas privadas e públicas, já fui diretora de turma, já dei aulas a turmas de currículos alternativos, já tive muitos alunos com necessidades educativas especiais, enfim... um pouquinho de tudo!

Infelizmente, ou felizmente (ainda estou para descobrir), desde 2013 que não tenho colocação em nenhuma escola pública, por mais que concorra todos os anos, mas sobre isso todos nós já sabemos as razões...
A crise económica...
O aumento de alunos por turma...
Os sucessivos cortes na educação...
Etc...
Etc...
Etc...

Infelizmente, ou felizmente (ainda estou para descobrir), foi em 2013 que tornei real o meu plano B (que rapidamente passou a plano A). Abri um centro de explicações e dei continuidade a um trabalho que desenvolvia em casa, também desde 2003. Já o fazia há 10 anos, já tinha trabalhado noutros centros de apoio escolar e sentia-me segura e confortável com a minha decisão. Ainda me sinto. Poderia estar a fazer outra coisa qualquer, à semelhança de outros meus colegas que, tal como eu, também não conseguem obter colocação. Mas decidi arriscar, decidi investir em mim e no meu trabalho.

Não foi uma decisão fácil, foram muitas noites sem dormir, a pensar se estaria a fazer o melhor. No fundo sabia que sim, mas havia sempre aquela voz, a voz da dúvida.

Sempre trabalhei com TODOS os meus alunos, como trabalhei com os meus sobrinhos e como trabalho com o meu filho mais velho, já em idade escolar.
Sempre tratei e sempre tratarei TODOS os meus alunos de forma igual e justa, sem olhar a estatutos sociais, religiões ou outros fatores que muitas vezes nos separam na nossa sociedade... Sempre os tratei e sempre os tratarei como sobrinhos ou mesmo filhos... acreditem, algumas crianças precisam mais do meu carinho do que dos meus ensinamentos. Quem me conhece sabe que sou assim.

Sempre fui assim também com os meus colegas de escola, depois colegas de curso e finalmente colegas de profissão. É deveras intimidativo entrar pela primeira vez numa sala de professores onde não se conhece ninguém. Mas sempre respeitei todos, desde o colega que sabemos estar no topo da carreira até ao colega que ficou colocado no mesmo dia que nós e que está a sentir o mesmo que nós. Todos temos algo a aprender com o próximo, seja ele professor, auxiliar, aluno, encarregado de educação. Sempre respeitei todos, TODOS.

Ora bem... e perguntam vocês... mas para quê esta conversa toda...

Notei, desde sempre, mas neste ano em particular... alguma... nem sei que nome lhe dar... (os alunos diriam "azia"... lol) alguma... algum sentimento de repúdio, digamos assim, pelo papel do "explicador". Sim, o explicador, a explicadora que, caso seja alguém sensato, não é mais do que um professor licenciado (embora existam pessoas que, tendo outras habilitações que não lhe permitem dar aulas em escolas, também dão explicações, mas isso é outra conversa...). Existem professores nas salas de aula e existem professores nos centros de explicações, mas nestes últimos locais, somos rotulados de "explicadores". Olha uma profissão nova! Recuso que me chamem "explicadora" e quando um aluno o faz, EXPLICO (lol) que sou professora, que tenho um curso superior que me dá essa habilitação. Sim, porque por vezes, os alunos naturalmente chamam "professora, tenho aqui uma dúvida" e alguns deles julgam que se enganaram (tal como já me chamaram de "mãe", "tia", "avó"...) e pensam que é um "engano desses". EXPLICO novamente que pode chamar-me de "professora" porque é essa a minha profissão. Perguntam-me porque não estou a dar aulas e aí segue-se uma longa conversa que já tento resumir em 5 minutos... :)

Quando estava colocada, tinha "n" alunos que frequentavam, e bem, uma explicação. Porque a decisão de frequentar, ou não, um apoio escolar extra cabe aos encarregados de educação e aos alunos. Ponto. Nunca, numa aula minha, comentei o trabalho realizado na explicação, desde que o mesmo não interfira, obviamente, na minha planificação e no trabalho que pretendo desenvolver com os meus alunos. O mesmo acontece agora que estou "do outro lado", como professora no centro de explicações, centro-me nas dúvidas e nas dificuldades que os alunos trazem e não interfiro no trabalho que é realizado na escola, não avanço matéria nova. Esse é o trabalho do professor da escola. O meu, enquanto professora de apoio é mesmo esse, APOIAR. Apoio os meus alunos tal como apoio o meu filho, torno a dizer. Igual.

No entanto, muitos alunos desabafam comigo que o professor, ou a professora comentou algo do género "Pois, tens isso bem porque fizeste na explicação" ou "Não tens isso feito da maneira que eu quero, porque foi feito na explicação" e comentários semelhantes ou ainda mais depreciativos... Pois bem... e se esse aluno não andasse na explicação e tivesse feito esse trabalho com a mãe, com o pai, com a tia ou com a prima?... Se o aluno tem dificuldades, não pode tentar resolvê-las junto de outro professor ou junto de um familiar? Não serve o TPC para criar também uma ligação entre a escola e a família? Só que infelizmente, nos dias que correm, muitos pais têm dois ou mais empregos e não têm tempo para ajudar os filhos, ou simplesmente não se sentem capazes para o fazer, dada a complexidade das matérias atuais. Vamos agora julgar os "explicadores particulares" ou os "centro de explicação" por isso?... Não é justo. Até porque, caros colegas que hoje têm colocação... ninguém sabe o dia de amanhã, ninguém sabe quando será necessário ativar o Plano B... Ninguém sabe...

Sempre dei explicações e tomei a decisão de abrir o centro e trabalhar da forma que trabalho, porque AMO o que faço, não para ficar rica, como muito boa gente pensa. Para isso, teria outras alternativas e acreditem que dariam menos dor de cabeça!!!

Não agrado a todos, ninguém agrada a todos. Mantenho-me fiel à forma como trabalho, pois é desta forma que me sinto bem, é desta forma que sei que consigo ajudar os alunos, é desta forma que durmo tranquilamente todos as noites, com a consciência leve.

Tenho saudades de dar aulas, tenho saudades do cheiro da sala de aula, do bom companheirismo entre colegas, da boa relação que sempre mantive com os meus alunos, é verdade que tenho. Mas se o sistema não permite, que posso fazer?

Pois bem, faço algo semelhante, ou mesmo, IGUAL. A paixão está sempre lá. Infelizmente o sistema também faz com que, cada vez mais, os alunos tragam mais dúvidas, mais matéria para estudar, mais pesquisas para fazer, mais trabalhos para concretizar!

E quem sou eu no meio disto tudo? Sou uma mãe, uma tia, uma prima que, por acaso, é professora e dá imenso jeito para ajudar nos TPC e no estudo para as fichas de avaliação.

A classe dos professores sempre foi muito desunida. Todos sabemos isso. Mas não é preciso sermos assim, pois nunca sabemos de que "lado da cama" é que iremos acordar no dia seguinte.

Há lugar para todos.
Há uma oportunidade para todos.
Há um sol para todos.

Tenham um excelente fim de semana e uma Doce Páscoa!

S. S.

terça-feira, 22 de março de 2016

As lágrimas do mundo


Hoje o mundo chora (outra vez).
Hoje as lágrimas caem e constrói-se (mais um pouco de) história.
Da nossa história. 
Da nossa (des)humanidade.
Daqui a uns (não muitos) anos os manuais de História dos nossos filhos, dos nossos netos, dos nossos bisnetos irão descrever e mostrar o horror que se viveu em Bruxelas...
Paris...
Madrid...
Londres...
Nova Iorque...
Bali...
...
...
...

Hoje o mundo chora (outra vez).
Hoje constrói-se história à custa da destruição de vidas, vidas como a minha, vidas como a tua.

Hoje, tal como ontem e anteontem, certas pessoas (!) pensam e agem de forma que nenhum coração entende, nenhuma razão percebe e nenhuma religião defende.

Mas infelizmente, hoje, tal como ontem e anteontem, ouvem-se (mais uma vez) culpar os que fogem da guerra, os que fogem do sangue, os que fogem da destruição, os que vencem o medo e ganham coragem. Perdem-se vidas. Todos os dias. Vidas como a minha, vidas como a tua.

Hoje, tal como ontem e anteontem, não consigo perceber essa minoria que coloca num grupo de pessoas a culpa do que não tem desculpa.

Saberão eles o significado de "refugiado"?
Saberão eles o significado de "terrorismo"?
Saberão eles que os que se fazem explodir, não precisam de arriscar a vida a atravessar, em condições desumanas, o mar Egeu?
Saberão eles que os que se fazem explodir vivem em melhores condições que nós?
Saberão eles...

O que saberão eles para, do fundo daquele pensamento redutor, transmitir às nossas crianças e aos nossos jovens, a ideia de que os refugiados são terroristas? 
O que saberão eles para, do fundo daquele pensamento (tão) redutor, mostrarem na vida e nas redes sociais, atitudes tão assustadoramente xenófobas.
O que saberão eles...

Ando cansada destas pessoazinhas... Sim, pessoazinhas...
Criticam estes e aqueles.
Criticam os refugiados.
Criticam os que apoiam os refugiados.
Criticam os homossexuais.
Criticam os que defendem os homossexuais.
Criticam as lésbicas.
Criticam os que defendem as lésbicas.
Criticam estes, aqueles e ainda os outros, apenas porque sim.

Tão bom serem melhores que todos. 
Estas pessoazinhas, que do alto da sua santíssima ignorância, dizem tantos e tantos disparates e, pior, transmitem muitas dessas tristes ideias aos filhos, às filhas, a toda uma nova geração que não compreende as notícias que abrem os telejornais...

Que tristeza de mundo é este onde é tão difícil encontrar a tolerância?
Eu sei, também mostro pouca tolerância com estas minhas palavras de hoje, mas há pensamentos, atitudes e dizeres que me tiram do sério e que me deixam com um enorme ponto de interrogação no coração, na mente e penso sobre tudo isto.

É difícil explicar o que leva uma pessoa a fazer-se explodir para matar outros.
É difícil explicar porque está aquele barco cheio de pessoas meio-vivas.
É difícil explicar porque traz o mar um corpo de uma criança inocente.
É difícil explicar o mal, a morte, o ódio.

É fácil explicar o amor.
É fácil explicar a amizade.
É fácil explicar a tolerância, a ajuda, a partilha, um sorriso, um abraço.
É fácil explicar o bem.

É difícil viver num mundo onde a crítica é fácil e fútil.

"Ninguém sai donde tem paz" (Pedro Abrunhosa)

22/03/2016
#prayforbrussels

S. S. 

sábado, 19 de março de 2016

Despe a pele

Por momentos, apenas por momentos...
Despe a pele. Despe-te de quem és, despe-te de quem tens que ser.
Despe-te de tudo. Despe-te da rotina, do ir, do ficar, do fazer e do tentar.
Despe-te das datas, dos prazos, da casa, dos filhos.
Troca de roupa por umas horas.
Deixa respirar.
Solta.
Liberta.
Foge.
Viaja dentro do vazio e deixa-te levar.
Deixa respirar.
Despe a pele.
Foge.
Liberta.
Mergulha.
Não sei do que falo, mas sei do que sinto.
Não sei se sentes o que sinto, mas deixa-me falar do que quero sentir.
Voa.
Vamos?
A pele estará sempre lá, à tua espera. Sempre.
Por isso e só por hoje vem, despe-te das amarras e voa comigo.
Só hoje.
Liberta.
Foge.
Mergulha..
Volta para cima.
Respira.


Já está...

S. S.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Cesariana



Nunca senti uma única contracção, e não sou menos mulher/mãe por isso...
Nunca tive os meus filhos nus sobre o meu desnudado peito após o parto e não tenho com eles menor vínculo por isso, não foi por fazer duas cesarianas que não amamentei (e ainda amamento) os meus filhos...

Somos, sim senhora, umas heroínas e tenho um imenso orgulho no quão forte fui no bloco. No operatório e não no de partos. Já senti o "olhar de lado" de algumas pessoas quando souberam que tive os meus filhos de cesariana. Não é para todas, é verdade.

Duas cesarianas vividas ao segundo graças à bendita da epidural, duas cesarianas vividas com uma intensidade indescritível. Indescritível como as dores que sentimos nos dias seguintes, mas que têm que ser superadas porque temos que amamentar o nosso bebé e olhar por ele, ainda que o corpo grite por uma cama. Não tive os meus filhos de cesariana porque quis, mas porque a natureza assim o decidiu. Não fui feita para parir e, sabem que mais, não me importo nada com isso, e se tiver que fazer uma terceira, fá-la-ei com a mesma força e coragem de sempre.

No bloco (operatório) estamos sempre muito acompanhadas, mas simultaneamente sós, esperando pela pessoa que será a nossa doce companhia nos muitos dias que se avizinham. O frio do bloco. O olhar dos médicos e enfermeiros por cima das máscaras. O carinho deles para connosco. O humor usado para nos relaxarmos ao máximo. São eles que nos acompanham nesse que será O dia das nossas vidas, seja pela primeira, pela segunda ou pela terceira vez. O bisturi que desliza de uma forma que sinto ser subtil. A lágrima que escorre com o primeiro choro. O cheiro do bebé seguro nos braços da enfermeira e tão perto do meu rosto. Beijinho quentinho. Vamos para o recobro. O bebé vai conhecer o papá.

Colocar, pela primeira vez, a mão sobre a barriga já lisa e bem apertadinha pelas inúmeras compressas protectoras. Estou bem. Vai ficar tudo bem. Prova superada. Bebé posto à mama e temos a certeza absoluta de que tinha que ser assim. A primeira noite é a mais difícil, as dores quase nos fazem desistir, mas somos mais fortes do que isso e o nosso instinto maternal não falha. A cama com cabeceira movível é a nossa melhor amiga.

Só as mães que dão à luz por cesariana conhecem estes caminhos, tal como as mães que têm partos naturais conhecem outros percursos e outras dores que desconheço. Só as mães que dão à luz por cesariana ficam com aquela cicatriz que todas conhecemos tão bem. Fui, orgulhosamente, uma mamã que deu à luz os seus dois filhos por cesariana.

Faria tudo de novo.

http://www.brasilpost.com.br/monet-moutrie/3-verdades-sobre-as-maes-_b_7268226.html

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Primeiro dia de escola

Quem não se lembra do primeiro dia de aulas?...
Todos nós temos o NOSSO primeiro dia de aulas... Na primária, no ciclo, no secundário, na universidade...
Recordo com saudade os meus primeiros dias de escola enquanto aluna, lembro-me de todos eles, desde os 5 aos 20. Únicos e ali parados no tempo, mesmo à minha frente.
Lembro-me também do meu primeiro dia de aulas como professora. Também nós, os professores, temos que nos adaptar a diferentes escolas, diferentes colegas e 1001 alunos, nomes, olhares e sorrisos.
Hoje vivi o verdadeiro e derradeiro primeiro dia de aulas como MÃE. É verdade, ele já esteve com a ama, no infantário, na pré-escola, mas hoje é diferente.
É mais um cordão umbilical que se corta. Chego à conclusão que temos vários e muitos cordões umbilicais que nos unem e que vamos cortando ao longo da vida, até que restarão apenas alguns ou apenas só um, não sei... mas hoje cortou-se mais um, em direcção à feliz independência que se deseja para os nosso filhos, mas que ao mesmo tempo não queremos que aconteça.
Cresce ele e crescemos nós.
Bom Ano Letivo a todas as crianças, a todos os pais, a todos os professores e funcionários a quem tanto confiamos os nossos tesouros. Bem-hajam!

sábado, 23 de agosto de 2014

"Eu não sei quem te perdeu"


Porque a vida se transforma e nos transforma. As já tão ouvidas melodias e músicas ganham um novo significado...
"Porque quem ama tem medo de perder".
Mas também porque quem ama, deixa partir...

Saudades tuas PAI.